O Diálogo entre pais e Filhos

12 de julho de 2011
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Atualmente, não causa surpresa a ninguém falar da importância do diálogo, afinal estamos em uma época em que a comunicação é fundamental e o diálogo entre pais e filhos muito incentivado, bem diferente do que ocorria no tempo dos nossos avós, quando criança tinha que ficar de fora de muitas conversas e quando só pelo olhar já sabia o que podia ou não fazer.

Muitos “anos luz” adiante desse tempo, podemos dizer que somos pais muito “legais” sempre disponíveis para falar com nossos filhos, mas será mesmo? Temos MSN, Orkut, e-mail e muitas vezes utilizamos essas ferramentas até mesmo para “falar” com pessoas que estão ao nosso lado. Será que elas substituem perfeitamente o contato pessoal, o “olho no olho”? (Ah, você vai dizer que tem uma web cam! Mas será que mesmo com uma câmera você consegue expressar da mesma forma os seus sentimentos?

Nunca foi tão importante o contato humano e as crianças sentem isso. Muitas vezes  elas possuem tantos aparelhos e tão poucas pessoas para tocá-las, falar com elas e ensinar-lhes o que necessitam saber. Em tempos modernos em que bandidos viram heróis frente a milhões de pessoas, através de vários meios de comunicação, o que dizer às crianças sobre a importância de respeitar a vida e ser honesto, por exemplo.

Normas e valores são fundamentais na educação de uma pessoa, a família é responsável por essa transmissão e muitas vezes, em função de tantas transformações ocorridas no mundo, os pais ficam sem saber o que dizer a seus filhos e, na dúvida, não dizem nada, não fazem nada com medo de traumatizar. Não faço aqui a apologia da violência, muito pelo contrário, defendo o diálogo na educação, mas digo que a falta de limite, o abandono das crianças sem orientação é também um grande prejuízo ao desenvolvimento.

Vamos pensar que você concorde comigo, ainda assim temos um problema, o que dizer, se nem mesmo nós, adultos, temos a resposta para tudo. “Digo” a você algo que já ouvia de minha avó: o exemplo vale mais que mil palavras. Muitas vezes a comunicação não é falada (aliás a fala corresponde a cerca de 30% da informação que passamos em um contato pessoal), por isso é fundamental ter disponibilidade para estar junto da criança, permitindo que ela compartilhe emoções e  comportamentos junto aos  pais e, é lógico, conversando também muito com ela. Essa é a melhor forma de acompanhá-la e inclusive de estar próximo de suas emoções, aflições, dúvidas e perigos.

A este ponto, pode ser que você esteja pensando: “Quando poderei estar com meu filho se trabalho o dia todo, tenho reuniões, sou pressionado(a) o tempo todo… Entendo e participo de suas reflexões, contudo, o mais importante é a qualidade do tempo destinado a estar com os filhos e, cá entre nós, todo mundo tem 10 minutos por dia para investir numa relação.

Faça as contas: 10 minutos em uma semana se convertem em 70, que ao final de 4 semanas contabilizam  280 minutos, o que é mais produtivo em termos educativos do que se ausentar por anos para depois viajar com a criança um mês inteiro, no qual você terá que se relacionar com um total desconhecido.

Comunicação é também ouvir, com empatia (palavrinha difícil de colocar em  prática, pois demanda ausência de julgamentos…), colocar-se no lugar do outro para entender e auxiliar e não somente criticar. A crítica destrutiva, muitas vezes feita em nome da educação é uma das maiores causas do distanciamento entre pais e filhos.

Não quero enganar-lhe dizendo que estou fornecendo um manual, daquele tipo com o qual todos sonhamos ao sair da maternidade com nossos filhos. Não existe uma fórmula mágica, o que existe é o contato que se cria, no cotidiano, gradativamente, na monotonia das tarefas diárias, na convivência em situações às vezes difíceis, nas quais se constrói a confiança necessária para iniciar e manter o diálogo.

 Você planta, rega diariamente e os frutos aparecem. Pensando bem isso tem um “q” de magia também…

Este artigo foi publicado na Revista Programa – junho  de 2011, p. 11, do 48º Congresso Nacional da Escola de Pais do Brasil, realizado de 23 a 25 de junho de 2011, em São Paulo – SP.

Tânia Bello – Psicopedagoga, Fonoaudióloga, CRFa 2542/SP

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